quinta-feira, 8 de março de 2012

Ex-consultora de marketing usa contrato do Palmeiras e pode gerar dívida de R$ 4 milhões


O Palmeiras está sendo cobrado por uma dívida de R$ 4 milhões por causa de uso indevido de um contrato do clube como garantia financeira pela ex-consultora de marketing Valéria Rocha Correa. A prática ainda não foi comprovada judicialmente. OUOL Esporte apurou que o tanto ela quanto o clube já foram citados em um processo judicial, apesar da negativa por parte do diretor jurídico, Piraci Oliveira. Dois dirigentes já confirmaram que o time foi notificado..
Arnaldo Tirone deixa investigação nas mãos de seu diretor jurídico, Piraci de OliveiraValéria teria usado contratos do marketing do Palmeiras para conseguir um empréstimo de um clube de investidores. A garantia para o pagamento era justamente o acordo feito pelo alviverde com empresas que seriam parceiras. Ela sumiu, não pagou, e agora o clube está sendo cobrado por eles.
Para convencer os investidores, a dona da empresa Renovare Comunicação exibia os contratos originais feitos pelo clube, um cartão de visitas com a marca do Palmeiras e usava até e-mail oficial da agremiação, de acordo com relato de dirigentes palmeirenses. Tudo fornecido pelos cartolas, já que ela, pelo menos na teoria, participaria das negociações com novos parceiros. Para abrir portas no Palmeiras, ela afirmou que trabalhou no projeto de sócio-torcedor do Internacional, exemplo para o Brasil.
“Nós estamos investigando a participação dela e vamos ver o que realmente vai acontecer. O que temos para dizer neste momento é que ela não tem nenhum vínculo oficial com o Palmeiras”, afirmou Piraci.Valéria foi indicada por dois conselheiros conhecidos como Xexéu e Dinho, ao presidente, Arnaldo Tirone, e ao vice-administrativo, Edvaldo Frasson. Ela chegou para compor o departamento ao lado de Juan Brito, que foi afastado do cargo meses depois de sua chegada. Segundo o diretor jurídico, ela não tinha cargo e participava das reuniões para conhecer o departamento e apresentar um projeto, que nunca foi entregue.

Tirone e Frasson foram avisados pelo tesoureiro do clube, Antônio Henrique Silva, de problemas no passado que ela já tinha. Mesmo assim, preferiram aceitar a indicação e dar um período de testes para ela.
“O caso está com o departamento jurídico”, limitou-se a dizer Tirone. “A gente realmente conheceu a Valéria, mas só indicamos ao presidente. Que problema tem? A gente ficou sabendo disso agora e já conversamos com o Piraci”, explicou Dinho. “Não quero falar do caso, fale com o jurídico”, completou Xexéu.
Pessoas ouvidas pela reportagem que pediram sigilo afirmam que Valéria sempre apresentou versões estranhas para dar sumiço por longos períodos do ambiente do marketing. “Primeira era sequestro de familiar, depois operações às pressas e sempre sem ajudar o clube em nada”, afirmou. “Ela tentou fazer até jogador emprestar dinheiro para ela e já prejudicou conselheiro por aqui”.

Em rápida consulta ao TJD de Goiás, o UOL Esporte verificou que Valéria tem três processos correndo. Um tem o número 200602366148, e foi protocolado no dia 11 de agosto de 2006, trata da Lei 7209/84, no artigo 171, com a descrição de Estelionato. Outro trata da mesma Lei, artigo e descrição, mas tem o número 200702080645 e foi protocolado no dia 04 de junho de 2007. Há, ainda outro que trata-se de problema com “Hipoteca”.

Valeria é procurada internamente no Palmeiras há 90 dias e ninguém a encontra. Ela também não quis falar com a reportagem para apresentar a sua versão dos fatos.
Os diretores de marketing, Rubens Reis e Newton Lavieri afirmaram que foram pegos de surpresa com os problemas e entregaram o caso para Piraci de Oliveira, especialmente por estarem sendo destituídos do cargo por Tirone.

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